Com importações aceleradas por conta principalmente das compras na China e as exportações praticamente estagnadas, o déficit comercial do setor de autopeças no primeiro bimestre do ano chegou a US$ 2,54 bilhões, cifra 40,3% maior do que a registrada no mesmo período de 2024 (US$ 1,81 bilhão).
Foram importados US$ 3,7 bilhões, valor 24,6% superior ao dos dois primeiros meses do ano passado, e exportado apenas US$ 1,2 bilhão, que representou insignificante avanço de 0,5% no mesmo comparativo.
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Conforme relatório da balança comercial divulgado esta semana no site do Sindipeças, só em fevereiro o déficit chegou a US$ 1,1 bilhão, com alta de 49,7% sobre idêntico mês de 2024.
Na avaliação da entidade, a relativa valorização do real frente ao dólar ao longo de janeiro e fevereiro pode ter sido um dos fatores explicativos para o aumento expressivo das importações, na medida em que torna os produtos estrangeiros mais acessíveis.
A preocupação principal em 2025 é a sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos as autopeças brasileiras e também aos veículos.
No caso das importações, a China lidera com participação de 21% em todas as compras de peças feitas pelo Brasil lá fora. Os fabricantes chineses embarcaram US$ 782,2 milhões em autopeças no primeiro bimestre, expanão de 21% no comparativo interanual, um movimento que acompanha o crescimento da venda de carros chineses do Brasil, que demanda peças de reposiçao.
Além disso, é importante lembrar, BYD e GWM prometem iniciar operações fabris no País no segundo semestre, a partir principalmente da importação de peças e sistemas da China, o que tende a elevar ainda mais as compras no país asitário,
Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar no ranking das importações, lugar que também ocupa no das exportações, que tem a Argentina no topo.
Vieram US$ 373,5 milhões dos fabricantes estadunidenses nos primeiros dois meses do ano, 10% a mais do que no primeiro bimestre de 2024 (US$ 331, 4 milhões). Alemanha e Japão, também com vendas em alta, completam o Top 4 dos países que mais vendem autopeças para o Brasil (veja tabela abaixo).
Sobre as perspectivas para 2025, o Sindipeças avalia que os juros altos e o câmbio elevado ao logo do ano podem contribuir para uma desaceleração das importações. A entidade também aposta na conquista de novos mercados externos que compensem, ao menos em parte, os efeitos negativos da taxação dos Estados Unidos.
Importações de autopeças
País 1º bimestre 2025 1º bimestre 2024 Var. (%) Part. (%)
CHINA 782.180.176 558.945.228 39,9 21,0
EUA 373.558.091 331.449.178 12,7 10,0
ALEMANHA 329.907.845 282.171.815 16,9 8,9
JAPÃO 319.653.901 261.916.466 22,0 8,6
Foto: Divulgação/Automec
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